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Estruturar um Artigo


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Segundo a NP 419 (IPQ 1996) - a norma portuguesa que regulamenta a apresentação de artigos em revistas e noutras publicações em série - um artigo é um "texto independente que faz parte de uma publicação, cuja autoria poderá ser ou não da equipa editorial".

Em Inglês este tipo de documento pode ser designado por paper ou article, mas segundo a Encyclopaedia Britannica a diferença entre os dois tipos reside no facto do paper poder ter como objetivo ser lido em voz alta:

  • Paper: a formal written composition often designed for publication and often intended to be read aloud <presented a scholarly paper at the meeting>”
  • Article: a nonfictional prose composition usually forming an independent part of a publication (as a magazine)”


O porquê de um formato para os artigos científicos?

Existem claras vantagens na utilização de um formato que estruture a escrita de um artigo científico, dado que o formato constitui um meio de comunicar eficazmente os resultados científicos de uma maneira uniforme. Para além disso, permite que o artigo seja lido a diferentes níveis:
• título - quando apenas se pretende encontrar a informação que está disponível sobre um determinado assunto através dos títulos;
• título e resumo - quando se pretende ir um pouco mais além no conteúdo do artigo;
• tabelas e figuras - quando se pretende conhecer os resultados.

O formato científico ajuda a assegurar que, qualquer que seja o nível a que o artigo é lido, facilmente sejam encontrados os resultados e as conclusões principais do trabalho de investigação (Bates College 2008).

Partes constituintes de um artigo científico

De acordo com a estrutura clássica, aplicável sobretudo a um processo experimental, o formato AIMRAD (Abstract, Introduction, Methods and Materials, Results and Discussion) é o mais comummente usado, cujas partes constituintes são: Título, Autores e Afiliação, Resumo, Introdução, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão, Agradecimentos, Referências Bibliográficas e Anexos, como seguidamente se evidencia:

Processo Experimental
Secção ou Parte do Artigo
O que foi feito de uma forma breve
Resumo
Qual é o problema?
Introdução
Como foi o problema  resolvido?
Materiais e Métodos
O que foi descoberto?
Resultados
O que é quer isso quer dizer?
Discussão
Quem ajudou?
Agradecimentos (opcional)
Que obras foram referenciadas?
Referências bibliográficas
Informação adicional
Apêndices ou Anexos (opcional)












No entanto, a estrutura deste formato AIMRAD poderá sofrer ajustes e alterações em função na natureza do estudo que o investigador se encontre a desenvolver (Silyn-Roberts 2000).

Existe normalização internacional e nacional para a estruturação de artigos, mas tendo em conta os requisitos diferentes dos variados editores (que poderão não estar de acordo com as normas em causa), os autores terão necessariamente que se adaptar sob pena de não serem aceites os artigos enviados para publicação.

A normalização nacional (IPQ 1996), que se baseia em normas internacionais, indica que os artigos devem ser compostos por três partes principais: elementos iniciais, corpo do texto e elementos finais.

Elementos Iniciais

São os elementos que identificam o artigo:

Título

Deve ser uma representação clara e concisa do conteúdo do documento e conter palavras que possam ser simultaneamente palavras-chave. Caso tenha um subtítulo, que deverá fornecer apenas informações complementares, deverá estar separado do título por dois pontos [:]

Nome do autor

O autor deve sempre indicar os apelidos e nome próprio com os quais se pretende identificar, devendo manter o seu nome o mais curto possível. Todos os autores devem ser identificados e a ordem indicada deve ser respeitada (primeiro autor, segundo, etc). No caso de o autor ser coletivo, o nome da instituição a usar deve ser a sua designação oficial, podendo ser indicada a sua abreviatura entre parênteses.

Afiliação do autor

Indicação da instituição a que o autor pertence (nome oficial contendo abreviatura entre parênteses) e respetivo endereço (cidade e país). Existem recomendações da UP para indicar a afiliação de membros da comunidade académica da U.Porto em artigos e outras comunicações científicas. Essas recomendações preconizam que no endereço institucional deve constar de modo explícito, claro e inequívoco, a designação “Universidade do Porto”, a Faculdade e a Unidade de Investigação a que os autores pertencem. Consulte a versão integral desse documento.

Resumo

O resumo é um dos elementos com maior importância não só por ser parte essencial dos artigos em revistas, mas também porque facilita a seleção de documentos na pesquisa bibliográfica em bases de dados. Deve estar de acordo com a normalização nacional (IPQ 1988) que indica a seguinte estrutura essencial:

  • Objetivos principais e tema ou motivações para a investigação;
  • Metodologia usada, quando necessário para a compreensão do texto;
  • Resultados analisados de um ponto de vista global;
  • Conclusões: consequências dos resultados e ligação aos objectivos da investigação;
  • Informação marginal que não esteja diretamente relacionada com o assunto, mas que seja relevante indicar embora sempre de forma clara e objetiva.

Segundo a mesma norma ainda se deve ter em conta as seguintes orientações:

  • O resumo deve ficar localizado entre o conjunto título/identificação dos autores e o texto principal do artigo;
  • É recomendada uma extensão de cerca de 250 palavras para resumos de artigos em revistas;
  • No início do resumo deve-se começar com uma frase que condense a ideia principal do artigo, a menos que isso já esteja expresso no título do mesmo;
  • Quanto à redação, deve-se usar verbos na voz activa para tornar o texto mais claro, breve e eficaz;
  • Deve-se seguir um estilo conciso e objetivo para que o leitor do resumo fique esclarecido quanto ao conteúdo do artigo sem precisar de o consultar;
  • Se possível, deve-se indicar o tipo de artigo se isso não ficar evidenciado no título do mesmo. Por ex. research article, review, etc.

Palavras-chave

As palavras-chave definidas devem ser usadas sempre que possível também no resumo. Se existir um thesaurus com terminologia da área em causa, deverá usar-se preferencialmente os descritores do mesmo. As palavras-chave definidas pelos autores são em grande parte dos casos integradas nos sistemas de pesquisa, sendo usadas para a recuperação dos documentos.

Data do artigo

A data de conclusão do artigo deve ser indicada, se possível sendo precedida do local. A data de revisão de um artigo (quando disponível) deve igualmente ser indicada, de preferência entre parênteses, após a data de conclusão.

Corpo do texto

De acordo com a estrutura anteriormente enunciada, o corpo do texto deve seguir uma estrutura lógica e clara:

Introdução

Tem por função:

  • Definir o contexto do trabalho reportado. Pode ser acompanhada pela discussão de fontes primárias relevantes da literatura (com recurso a citações), sintetizando o entendimento atual do problema que está a ser investigado;
  • Enunciar claramente os objetivos do estudo, sob a forma de hipótese, questão, ou problema que está a ser investigado;
  • Explicar brevemente o raciocínio e abordagem e sempre que possível os possíveis resultados do estudo.

Materiais e métodos

Tem por função:

  • Explicar claramente como é levado cabo estudo, descrevendo os procedimentos experimentais aplicados;
  • Descrever os métodos e técnicas utilizados, de modo a que alguém possa repetir ou verificar o trabalho realizado;
  • Descrever como os dados foram recolhidos e analisados, de modo a que os leitores possam avaliar a fiabilidade dos resultados no contexto dos métodos usados.

Resultados

Tem por função:

Apresentar objetivamente os resultados, sem interpretação, de acordo com uma sequência lógica e usando materiais ilustrativos (tabelas e figuras).

Discussão

Tem por função interpretar os resultados, fazendo referência a outros estudos sobre o assunto e ao novo entendimento do problema, à luz dos resultados da investigação. Pode ser estruturada em 4 partes principais:

  • mensagem principal - responde às questões colocadas na introdução suportadas pelas principais evidências;
  • avaliação critica - refere opiniões ou apreciações sobre o desenrolar do estudo, colocadas por exemplo ao nível das limitações nos métodos, imperfeições na análise, ou validade dos pressuposto;
  • comparação com outros estudos - podem ser referidas semelhanças e diferenças relativamente a outros estudos;
  • conclusões - podem ser apresentados os comentários finais e sugestões de investigação futura.

Segundo a NP 419 (IPQ 1996), se corpo do texto for extenso, pode incluir-se um sumário com a estrutura do mesmo para facilitar a localização das suas partes constituintes e respetiva leitura. A existir, o sumário deverá corresponder à numeração da estrutura do corpo do texto. Por sua vez, a numeração da estrutura do texto deve seguir a normalização nacional (IPQ 1989) que sugere a sua divisão em:

  • Partes: agrupamento de capítulos; devem ser numeradas e conter um título;
  • Capítulos: agrupamento de secções;
  • Secções: divisões e subdivisões sucessivas do documento.

Se usar unidades de medida no seu texto deve seguir o Sistema Internacional de Unidades SI, disponível na norma NP 172.


Elementos finais

Agradecimentos

É opcional. Quando aplicável menciona a ajuda de pessoas que ajudaram na elaboração do trabalho ou na redação do artigo, indicando os  nomes, afiliação e a natureza da colaboração prestada;

Referências bibliográficas

A apresentação das referências bibliográficas deve ser elaborada sob a forma de lista, onde deverão constar todas as fontes citadas ao longo do texto. O modelo de referência a adotar difere de revista para revista. Sobre este assunto, consulte neste guia a secção Citações e referências.

Apêndices ou Anexos

É opcional, sendo um elemento pouco frequente nos artigos publicados. Contém informação que não é essencial para a compreensão do artigo, mas que ajuda a clarificar os dados apresentados no corpo do texto. Cada apêndice deve ser identificado e conter um tipo de material diferente, como por exemplo: dados em bruto, mapas, fotografias extra, etc.. Frequentemente figuras e tabelas, que não as que figuram no corpo do texto, podem assumir a forma de apêndices, devendo os elementos ser numerados sequencialmente e identificados com uma legenda explicativa.


Sabia que?

O Endnote contém formulários para preparação de artigos para submissão em algumas revistas científicas. Esses formulários foram criados com base nas regras específicas de cada uma das revistas e contêm indicações diversas, como por exemplo o número máximo de caracteres do resumo, que dependem da revista que se selecionar e respetivas regras de publicação.

Para usar essa funcionalidade, basta que no Endnote aceda à opção Tools > Manuscript templates e preencha os campos que lhe forem sendo solicitados.

Exemplos de revistas incluídas:


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